O Fim do Império Português do Futebol

Em Maio de 2015, um jornalista americano de origem asiática, Seung Lee, antigo colaborador de jornais da Califórnia (Los Angeles Times, San Francisco Chronicle), publicou um curioso artigo sobre o futebol português. Lee argumentava que havia terminado o império português do futebol, no que dizia respeito aos clubes. O motivo? O fim da partilha de passes de futebolistas por várias partes, por exemplo por parte de fundos de investimento – uma determinação da FIFA que acabara de entrar em vigor.

Lee acrescenta que Porto e Benfica foram os clubes que moldaram esta “técnica” de investimento e venda de jogadores, e que ambos beneficiaram imensamente com ela, nomeadamente através da compra barata e valorização de talentos vindos da América do Sul. O americano apresenta números: o FC Porto terá vendido 600 milhões de euros em jogadores desde a vitória na “Champions”, em 2004; o Benfica, 141 milhões só desde a conquista do campeonato em 2014.cristiano_ronaldo_y_diego_forlan

Lee demonstra algo que escapa à opinião pública portuguesa: os clubes portugueses competem, na Europa, acima das possibilidades do seu país. A liga portuguesa encontra-se geralmente entre as 6 melhores da Europa. Em nenhum outro indicador económico ou social conseguem os portugueses “competir” desta forma, entre a elite europeia.

Qual a análise em Portugal?

Raramente se viu uma análise deste género na imprensa portuguesa. A partilha dos passes é, de uma forma geral, atribuída ao futebol internacional em geral, e não a uma inovação dos clubes portugueses em particular. Quanto à presença maciça de jogadores sul-americanos no Porto e Benfica, e apesar dos sucessos recentes, é frequente ouvir-se que grande parte desses investimentos são ruinosos e que seria preferível apostar em jogadores portugueses.

Enaltecendo o papel de Jorge Mendes, e designando-o a ele e a Pinto da Costa de “barões da indústria”, Lee prevê um declínio dos resultados de Porto e Benfica nas competições europeias, se tiverem menos possibilidades de fazer negócios milionários como têm feito ao longo da última década. Terá razão?

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